EXPEDIÇÃO À ILHA DA MOELA (SA-071)

COMO TUDO COMEÇOU
Em outubro de 2007, PY2WAS – Alex, recebeu em sua casa PY1RO- Rolf e PY2XB – Fred e o assunto era uma expedição à Ilha Moinho de Trigo, que junto com a Ilha Arvoredo, faz parte do arquipélago ao qual a IOTA confere o número SA-071. A data estimada seria durante o carnaval de 2008.
Paralelamente a isso, PY2ZA – Junior (vice-presidente da Labre SP), PY2EJ – Julio (presidente da Labre SP) e PY2XAT – Eder (conselheiro da Labre SP), estavam com a mesma intenção de fazer uma expedição na mesma época, para o mesmo arquipélago, mas não para a Ilha Moinho de Trigo e sim para a Ilha da Moela. Entretanto, a Ilha da Moela é controlada pela Marinha do Brasil e o seu acesso é restrito.
Em uma conversa informal entre Alex e Junior, sobreveio a idéia de unir forças para fazer uma única expedição diretamente à Ilha da Moela.
DIVISÃO DE TAREFAS
Foram iniciados, então, todos os preparativos e a idéia inicial foi tomar 3 providências:
1) Definir qual seria o time que participaria da expedição.
2) Fazer um check-list do que cada um dos participantes levaria para a ilha.
3) Dividir as tarefas, para que conseguimos atingir o objetivo final.
E assim foi feito. Tivemos uma única reunião com presença física, na qual compareceram Alex, Eder, Junior e Julio, na sede da Labre-SP, com participação por teleconferência do PY1RO – Rolf e do PY2XB – Fred.
O time inicial foi formado com Alex, Eder, Junior, Julio, Rolf, Fred, PY2MTV – André, PY2OC – Luis, PY2SRL – Paulinho. Eis que entre dezembro-2007 e janeiro-2008, o time começou a sofrer baixas, por motivos de trabalho. Assim, inicialmente, André teve que cancelar sua participação, embora tenha acompanhado e participado ativamente de todos os preparativos, indo inclusive receber o time no Porto de Santos. Logo a seguir, foi a vez do Julio, que teve que foi informado que teria que participar de uma viagem a trabalho em data coincidente à data da expedição. Como se não bastasse, chegou a vez do Luis, que teve igualmente que declinar da sua participação. A seguir, o Paulinho também declinou por problemas profissionais. E em cima da hora, inesperadamente, Junior foi impedido de comparecer à expedição, também por razões de trabalho.
Com as seguidas baixas, o time foi reduzido substancialmente e em conversas por e-mail em cima da hora, houve a discussão de quem poderia ser convidado a integrar o time e a agregar valor a todo o planejamento já feito. E assim, ingressaram ativamente PY2BRZ – Gerson, PY2HL – Ricardo e PY2VM – Carlos. A presença desses colegas foi fundamental para o sucesso da expedição.
Não obstante, Julio, Junior, André e PY2OE – Rogério (irmão do Ricardo), permaneceram dando todo o suporte à expedição à Ilha da Moela.
LICENÇAS E AUTORIZAÇÕES
A Labre SP, através do Junior, encarregou-se de fazer contato com a Marinha do Brasil para solicitar a autorização para a expedição na Ilha da Moela, assim como, após definido que o indicativo de chamada seria PW2M, requereu junto à ANATEL a expedição do aludido indicativo.
Alex encarregou-se do requerimento de uso temporário, em caráter experimental da banda de 60m, pelos integrantes da expedição à Ilha da Moela, sob o indicativo de chamada PW2M, junto à ANATEL.
A troca final de e-mail entre os integrantes foi fundamental para dirimir todas as dúvidas e integrar o time. Como se diz, comunicação é a alma do negócio; e é mesmo !!!
A VIAGEM DE IDA
Todo o time acabou viajando na 6ª. feira (01 de fevereiro de 2008) para a baixada Santista. Eder, Carlos, Gerson e Ricardo, ficaram hospedados na casa desse último em Praia Grande. Alex, Rolf e Fred ficaram hospedados na casa desse último no Guarujá.
No sábado (02 de fevereiro de 2008) pela manhã, Fomos recebidos em Santos pelo André e pelo sueco Thomas SM0CXU, os quais foram muito simpáticos com todos os membros do time. Nossa saída estava marcada para o sábado às 08:30h, mas devido à chegada do presidente Lula, para passar o carnaval em um forte no Guarujá, a Marinha estava de prontidão e só pudemos embarcar às 10:30h.
Uma catraia de aproximadamente 15 metros veio nos levar até a Ilha e era impressionante a quantidade de material que levamos. Basta dizer que o Ricardo chegou com uma Kombi repleta de antenas e equipamentos, pois ele ficou encarregado de levar as antenas maiores de alumínio e o mastro telescópico de 18m da Laurema.
Não obstante, as vagas enormes no pequeno trecho de mar aberto entre o continente e a ilha, a catraia suportou bem e conseguimos alcançar a ilha por volta das 12h. A chegada não nos surpreendeu, pois já havíamos sido avisados pelo André, mas não há píer ou ancoradouro na ilha; logo, o barco tem que se aproximar da pedra e as pessoas têm que pular e passar os objetos. Com o mar relativamente calmo, não foi tão difícil, embora, a quantidade de material tenha tornado a tarefa extremamente cansativa.

Distribuição de Estações
Chegando à ilha, deparamo-nos com o primeiro dos muitos problemas a solucionar: a sua geografia. A ilha é muito íngreme e não seria viável subir com toda a quantidade de equipamentos que levamos, em razão do peso excessivo.
Assim, para evitar a interferência por radiofreqüência de uma estação com outra, resolvemos montar 3 bases de operação em locais diferentes:
1) Duas estações junto ao farol no topo da ilha, sendo uma delas operada para HF utilizando uma antena V invertida com linha aberta, operada por Rolf e Fred e outra estação para VHF e UHF operada por Eder e Ricardo.
2) Uma estação montada em uma casa situada no outro lado da ilha em uma altura equivalente à metade da altura entre o topo e o mar para operações digitais em HF, com uma antena direcional de 3 elementos para 20m e uma antena vertical R7000 da Cushcraft, operada pelo Gerson.
3) Uma estação montada em uma pequena sala situada próximo ao local de embarque e desembarque junto ao mar, com uma antena Morgain de 10 a 80m e uma antena dipolo para 60m, operada por Alex e Carlos.
Inúmeras antenas direcionais não foram utilizadas, dentre elas a log-periódica da Cushcraft, em razão do peso e da impossibilidade de levá-las até as estações alocadas em partes superiores da ilha.
O mastro de metal da Laurema acabou sendo usado em seções separadas para prender algumas antenas e estaios. A grande surpresa positiva foi o mastro de fibra da Spiderbeam (alemã) que também possui 18m, mas apenas 8kg, podendo ser transportado com facilidade e erguido já esticado, por apenas um único homem. De fato, é um equipamento fantástico para o radioamador.
PROBLEMAS ENFRENTADOS

Os problemas enfrentados foram os mais diversos possíveis, passando a elencar alguns abaixo ora listados:
- A altura íngreme da ilha não permitiu subir com equipamentos e antenas com mais peso.
- No período noturno, quando o radiofarol era ligado, a interferência impedia as estações de fazer qualquer contato, devido à forte interferência, com ruído acima de 9.
- A fonte utilizada pelo Gerson queimou, embora houvesse fonte de back-up.
- Aranhas assustadoras foram vistas em diversos pontos da ilha.
- A distância entre as estações e a falta de HTs isolaram o time, que, por diversas vezes, ficou sem comunicação entre os seus integrantes.
- A propagação foi sofrível e as bandas de 12 e 15m estavam praticamente “mortas”.
CURIOSIDADES NA ILHA
Além dos 4 militares residentes por 3 meses, em escala de revezamento, com suas famílias passando o carnaval, a ilha possui mais 2 habitantes ilustres: um cão chamado “Amendoim” que é muito amável com todos e uma mula que ao ouvir o barulho de algum barco chegando, sai em disparada. Aliás, essa mula parecia que ficava nos observando ao subir e descer com material e rindo da situação.
O time foi igualmente advertido de que existiriam cobras na ilha – jararacas… venenosas – mas, felizmente, não topamos com nenhuma delas.
A propósito, no segundo dia de operação, chegou uma frente fria, trazendo muito vento e deixando o mar bastante revolto.
UTILIZAÇÃO EM CARÁTER EXPERIMENTAL NA BANDA DE 60 M
Pela primeira vez no Brasil, foi feita uma transmissão em serviço radioamador na banda de 60 metros, especificamente a freqüência de 5.403,5 kHz em USB (o denominado canal 5), já que as freqüências alocadas para radioamadorismo nos EUA e na Inglaterra, são 5 freqüências fixas, denominadas canais 1 a 5, sendo utilizada apenas em USB.
A experiência foi fantástica, tendo sido efetuada operação split com transmissão por PW2M na freqüência de 5.403,5 kHz em USB e recepção em 7.055,0 kHz em LSB ou em 3.755,0 kHz em LSB. Mais de uma centena de contatos foram feitos com estações brasileiras e em modo simplex, dezenas de contatos foram feitos com estações americanas e inglesas.
Foi comprovado que a banda de 60m é excelente para contatos a média e grande distâncias.
Indubitavelmente, foi um marco no radioamadorismo brasileiro e o início de um movimento para conseguirmos o deferimento das respectivas freqüências da banda de 60m por parte da ANATEL, em caráter definitivo, para o radioamadorismo no Brasil.
PARTE DO TIME DECIDE PERMANECER ATÉ O DIA 08.02.20008

Como houve disponibilidade, Fred e Rolf decidiram permanecer na ilha até o dia 08 de fevereiro de 2008, embora tenham transferido a sua estação do farol, para a casa que estava sendo ocupada pelo Gerson. Trouxeram sua antena V invertida e tem feito um excelente trabalho, especialmente em telegrafia, nos 17, 20 e 40m.
RESULTADO FINAL
Ainda que seja necessário consolidar os logs de todas as estações e aguardar o fim da expedição no dia 08 de fevereiro de 2008, até o momento da partida dos 5 membros (Alex, Carlos, Eder, Gerson e Ricardo) em 05 de fevereiro de 2008, havia sido logrado o número aproximado de 3000 QSOs; o que, considerando as dificuldades impostas pela péssima propagação, foi um excelente feito.
Mas mais importante do que o número de QSOs, foi a integração de todo o time se ajudando mutuamente, a preocupação de uns com os outros, enfim, a evocação do verdadeiro espírito do radioamadorismo que se fez presente em todos os momentos.
Deixamos a ilha com a sensação de que ganhamos novos “irmãos”. Pessoas com o mesmo ideal e afinidades. Foi um grupo realmente fantástico. Destaque para o Carlos e o Ricardo, pela sua disposição em ajudar a todos em suas respectivas instalações de antenas. Ricardo, apesar de ser o mais jovem do grupo, parecia ser o “pai” de todos, sempre preocupado com a alimentação e o bem estar de todos. Carlos era o animador do grupo… sempre bem-humorado, levantando o astral de todos, nos melhores e piores momentos… é uma pessoa de um enorme coração.
Enfim, essa expedição somente foi bem sucedida por duas razões importantes:
a participação efetiva de todos, cada qual contribuindo de uma forma para o sucesso do evento, integrando-se como um verdadeiro time,
a participação efetiva dos colegas radioamadores que nos prestigiaram com o contato, principalmente a participação maciça das estações brasileiras. Não é nada fácil a logística para um evento dessa envergadura e o apoio da comunidade radioamadorística é fundamental.
Em nome de todo o time PW2M, o nosso muito obrigado a todos, em especial aos Sargentos Anselmo, Daniel e Joselito pela ajuda que nos deram, que entendemos muito acima do dever!!!

Ass: Alex (PY2WAS), André (PY2MTV), Carlos (PY2VM), Eder (PY2XAT), Fred (PY2XB), Gerson (PY2BRZ), Julio (PY2EJ), Junior (PY2ZA), Ricardo (PY2HL), Rogério (PY2OE) e Rolf (PY1RO)
Veja as fotos no site da Labre-SP
Relato enviado por Alex PY2WAS.